MERCADO DIFERENCIADO
De jabutis a serpentes: pets exóticos ganham adeptos em Alagoas
Tiago Lima é dono de um criatório e cita que preços variam de R$ 700 para um jabuti a R$ 4.490 para jiboias


Cobras, lagartos e outros animais silvestres têm atraído o interesse de criadores em Alagoas. Esse mercado de pets não convencionais funciona sob normas específicas, com foco no enfrentamento ao tráfico de fauna.
Segundo o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), a criação e a venda de espécies silvestres e exóticas só podem ocorrer em criatórios comerciais devidamente licenciados. Entre as exigências estão a comprovação da origem legal, a identificação individual dos exemplares e a emissão de nota fiscal. As medidas buscam garantir transparência no processo e segurança jurídica para compradores e criadores.
A legislação estadual, criada em 2016 e revisada em 2022, passou por ajustes para atender às características de cada grupo de animais. Para os répteis, a norma define quais espécies podem ser mantidas em cativeiro. Esses animais já possuem histórico de criação no país e não apresentam potencial invasor comprovado.
No caso das aves, a regra funciona por meio de uma lista que proíbe apenas espécies consideradas problemáticas. Os mamíferos seguem critérios mais restritivos, com autorização para poucas espécies e exigência de castração obrigatória.
Biólogo e criador de animais silvestres, Tiago Lima, 44, responsável pelo criatório Animais Brasil, em Maragogi, afirma que as mudanças buscaram conciliar interesse social e proteção ambiental. “No caso dos répteis, existe uma preocupação muito grande com espécies invasoras. Por isso, a legislação cita exatamente quais espécies podem ser criadas, todas sem potencial invasor comprovado”, diz.
O IMA ressalta que a regulamentação tem como objetivo diferenciar a criação legalizada do tráfico de fauna, considerado crime ambiental. Animais comercializados de forma irregular, sem procedência comprovada, não podem ser regularizados posteriormente, mesmo quando mantidos por longos períodos em cativeiro.
O órgão também observa mudança no comportamento de parte dos consumidores, que passaram a buscar informações sobre a origem e as condições de manejo antes da compra. A procura por criatórios licenciados tem aumentado, movimento associado à maior conscientização ambiental e à rejeição ao mercado ilegal.
“Hoje, as pessoas já entendem que retirar um animal da natureza é crime e se preocupam com a estrutura antes de adquirir um pet não convencional”, afirma Tiago. Segundo ele, clínicas veterinárias relatam redução no número de animais ilegais apreendidos, cenário relacionado à ampliação da oferta regular.
Os valores variam conforme a espécie. De acordo com o criador, jabutis estão entre os animais com menor custo no mercado legal, com preços a partir de R$ 790. O valor inclui a documentação exigida e um manual de cuidados entregue ao comprador. Ele destaca que a emissão dos documentos é responsabilidade exclusiva do criatório autorizado. Outras espécies apresentam preços mais altos, como iguanas, em torno de R$ 4.490; jiboias, entre R$ 3.790 e R$ 4.990; e teiús, a partir de R$ 2.490.
Após a aquisição, os custos de manutenção tendem a ser reduzidos quando o manejo é adequado. Animais criados de forma regular recebem orientação desde a origem, o que diminui riscos de adoecimento. Répteis não necessitam de vacinas e não transmitem zoonoses, e as principais despesas costumam estar ligadas à alimentação e a consultas veterinárias preventivas.
Do ponto de vista ambiental, a criação regular é apontada como alternativa que contribui indiretamente para reduzir o tráfico. “Quando existe oferta legal, a demanda por animais ilegais diminui. É uma dinâmica natural de mercado”, afirma Tiago. Ele também cita outros efeitos, como ações de educação ambiental, produção de conhecimento científico, geração de empregos e arrecadação de impostos.
O perfil dos compradores é variado e inclui famílias, jovens e adultos de diferentes idades. “Já tivemos casos de pais comprando animais para os filhos e a reação é sempre emocionante. As pessoas ficam muito felizes por poder realizar esse sonho de forma legal”, relata o biólogo.
O IMA orienta que, antes de adquirir um pet não convencional, o interessado busque informações detalhadas sobre a espécie e verifique se o criador possui autorização válida para a atividade. A responsabilidade do tutor é considerada essencial para assegurar o bem-estar do animal e a preservação ambiental.
A criação legalizada é tratada como instrumento para reduzir a retirada ilegal de espécies da natureza e estimular práticas responsáveis de manejo e comercialização em Alagoas.
