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PERSPECTIVA

Juros altos e trajetória da dívida asfixiam economia e desafiam Lula 4

Com uma taxa real de 8,45%, o Brasil lidera ranking global e vê endividamento chegar a 82% do PIB

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Com Selic em 13,75%, crédito para famílias permanece encarecido
Com Selic em 13,75%, crédito para famílias permanece encarecido | Foto: Divulgação

Combinada a uma dívida pública em ritmo acelerado de expansão, a manutenção da taxa de juros reais do Brasil no maior patamar do mundo pressiona a atividade econômica e se consolida como um dos principais gargalos para a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com a Selic em patamares restritivos e o endividamento alcançando 82% do PIB (Produto Interno Bruto), o governo enfrenta cobranças do mercado e de economistas por um ajuste fiscal focado na contenção de despesas, enquanto lida com gargalos estruturais como o déficit previdenciário e a volatilidade do real.

O Brasil lidera o ranking mundial de juro real com uma taxa de 8,45% ao ano, segundo levantamento da consultoria MoneYou que analisa 40 países. O indicador coloca o país à frente da Rússia (6,79%) e da Argentina (2,69%), que convive com inflação projetada acima de 20%.

Com a taxa básica de juros (Selic) fixada pelo Banco Central em 13,75% ao ano – mantendo-se no patamar de dois dígitos desde 2022 –, o crédito para famílias e empresas permanece encarecido.

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"Esse é o piso. Os juros que os consumidores e empresários encontram quando vão tomar crédito são bem mais altos. Então, a Selic no nível atual inibe bastante a atividade econômica", afirma Alexandre Andrade, diretor do IFI (Instituto Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado).

Custo da dívida em alta
A elevação da taxa de juros reflete diretamente no custo do endividamento público. No acumulado de 12 meses até agosto, os gastos com juros da dívida brasileira atingiram R$ 1,18 trilhão, o equivalente a 8,9% do PIB.

O estoque total da dívida alcançou R$ 11 trilhões (82% do PIB). Em janeiro de 2023, no início do terceiro mandato de Lula, a relação era de 71%.

"O grande motor da aceleração da dívida nos últimos cinco anos tem a ver com o aumento dos juros", diz Guilherme Klein, professor de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e pesquisador do Made-USP (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP).

O aumento do endividamento público é um fenômeno global impulsionado desde 2010 pelas respostas econômicas à crise financeira de 2008 e, posteriormente, à pandemia de Covid-19, aponta Bráulio Borges, diretor da LCA Consultores e pesquisador-associado do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

No cenário doméstico, porém, o quadro é agravado por fatores estruturais, como a expansão do déficit previdenciário e transformações no mercado de trabalho. "Com o aumento da pejotização e dos trabalhadores por conta própria, a arrecadação da previdência vem caindo. Se não fosse o déficit da previdência, o governo teria superávit nas contas", diz Borges.

Debates sobre o ajuste fiscal
A trajetória da dívida eleva o prêmio de risco exigido por investidores, o que dificulta a queda sustentável dos juros. Embora o Planalto busque compensar a pressão fiscal por meio do aumento da arrecadação e do crescimento do PIB, analistas apontam a necessidade de focar a gestão de gastos.

Para Andrade, do IFI, uma nova reforma previdenciária tende a entrar na agenda pública devido ao envelhecimento populacional e ao avanço das emissões de benefícios.

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