RECONHECIMENTO
Celso Brandão recebe título de doutor honoris causa da Uneal
Fotógrafo, cineasta e professor será homenageado nesta sexta-feira (9), em Maceió, por uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada à cultura alagoana
Há mais de meio século, Celso Brandão percorre Alagoas com sua câmera. Registrou mestres, artesãos, folguedos, trabalhadores, paisagens e modos de vida que acabaram caracterizando sua produção como fotógrafo e cineasta. Parte desse percurso será reconhecida nesta sexta-feira (9), quando a Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) concederá ao artista o título de doutor honoris causa.
A cerimônia será realizada às 19h, na Associação Comercial, em Maceió. A honraria foi proposta pelo professor Odilon Máximo de Morais, reitor da Uneal, e aprovada pelo Conselho Superior da universidade em virtude da contribuição de Brandão para a cultura e as artes em Alagoas.
Hoje com 75 anos, o fotógrafo desenvolveu uma obra que transita entre o registro documental, a pesquisa e a criação artística, com presença constante da cultura popular alagoana. Graduado em Comunicação Visual pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais pela Universidade Candido Mendes, ele foi professor de fotografia nos cursos de Arquitetura e Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) durante 30 anos.
Essa relação entre imagem, pesquisa e território acompanha sua produção desde a década de 1970. Na fotografia, Brandão levou seus trabalhos a exposições realizadas em Alagoas, outros Estados brasileiros e no exterior. Entre elas estão “Argueiro, um cisco no olho”, apresentada na Galeria Fotóptica, em São Paulo, em 1993; “Canudos”, no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, em 2002; e “Memento”, exibida em Penedo, em 2013, e no Iphan, em Maceió, no ano seguinte.
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Em 2016, sua obra chegou à Maison Européenne de la Photographie, em Paris, com a exposição “Boîte noire”. No mesmo período, “Caixa-Preta” passou pela Caixa Cultural, no Distrito Federal, e depois pela Galeria Gávea, no Rio de Janeiro. Em Maceió, trabalhos como “Canto Oculto” e “Taramps” também compuseram seu repertório expositivo.
A circulação das imagens estendeu-se ainda aos livros. Brandão participou de mais de 20 publicações dedicadas à arte, à fotografia e à cultura popular, a exemplo de “Mestres Artesãos das Alagoas: Fazer Popular”, “Memento”, “Caixa Preta” e “Ilha do Ferro”, este último com fotografias suas e textos de Fernando Fiúza e Pierre Devin. Sua bibliografia inclui títulos ligados à cerâmica, à religiosidade popular e à produção artística nordestina.
No cinema, o trabalho se estende de 1974 a 2025. São dezenas de filmes, muitos deles voltados para personagens, manifestações culturais e práticas sociais encontradas em diferentes regiões de Alagoas. Figuram entre os trabalhos mais conhecidos “Guerreiros das Alagoas”, de 1984, “Papa Sururu”, de 1990, e “Bobos de Tatuamunha”, de 2012.
Ao rever a própria carreira, Brandão costuma apontar “O Ponto das Ervas” e “Memória da Vida e do Trabalho” entre os filmes que considera mais representativos de sua trajetória. Já na área da fotografia, destaca os livros “Caixa-Preta” e “Ilha do Ferro”, além das exposições realizadas em Paris e na Galeria Fotóptica, em São Paulo.
A homenagem prestada pela Uneal também alcança a atuação de Brandão como professor e pesquisador. Para o reitor Odilon Máximo, a formação de profissionais ao longo de três décadas integra um percurso que ajudou a ampliar a circulação de referências da cultura alagoana dentro e fora do Estado.
“Celso Brandão tem uma grande contribuição como professor da Ufal, ao formar dezenas de profissionais; é um artista e um grande divulgador da cultura popular alagoana através da fotografia, do cinema e das publicações. Conceder esse título ao Celso é reconhecer a importância dos alagoanos que produzem conhecimento e saberes, valorizando e dando voz à cultura popular local”, afirmou.