TEATRO
Companhia Maria Mariá leva oficina e espetáculo gratuitos a escola de Maceió
“Duplamente Maria” mistura teatro popular, música ao vivo e bonecos para contar trajetória de alagoana que fez história no interior do Estado como pioneira feminista e educadora
Maria Mariá de Castro Sarmento nasceu em 16 de junho de 1917 nos arredores de União dos Palmares e morreu na mesma cidade em 28 de fevereiro de 1993. Ela construiu uma das trajetórias mais irreverentes e corajosas da história alagoana. Foi a primeira mulher a usar calça comprida em União dos Palmares, entrava nas rodas de jogo de baralho e dominó com os homens da cidade, tocava violão, ia aos bares e botecos, promovia vaquejadas e incentivava a criação de blocos carnavalescos. Professora, jornalista, folclorista e historiadora, destacou-se também na defesa de uma educação moderna e aboliu, nas suas aulas, a palmatória.
É essa mulher que a Companhia Teatral Maria Mariá leva ao Benedito Bentes nesta quarta-feira (29), numa programação gratuita e aberta à comunidade na Escola Estadual de Tempo Integral Drª Eunice de Lemos Campos. O espetáculo “Duplamente Maria”, escrito por Kadu Oliveira e dirigido por Ermerson Juan, revisita a trajetória de Mariá com elementos do teatro popular, música executada ao vivo pelos próprios atores e teatro de bonecos.
Um dos momentos centrais do espetáculo acontece quando Maria Mariá adulta encontra sua versão criança. O encontro entre as duas conduz reflexões sobre identidade, coragem e permanência, revelando os sonhos e as experiências que ajudaram a construir quem ela se tornou. A montagem não esconde as fragilidades, os medos e as solidões da personagem — e usa o humor como ferramenta de aproximação, equilibrando a crítica social com a leveza necessária para alcançar diferentes públicos, incluindo os estudantes que receberão o espetáculo nesta tarde.
A programação do dia começa às 10h com uma oficina de teatro e segue às 15h com a apresentação do espetáculo, seguida de roda de conversa entre elenco e público. A proposta é criar dentro da escola um espaço de troca que vai além do palco — aproximar estudantes da linguagem cênica e da história de uma mulher que, décadas antes de o feminismo ganhar visibilidade no Brasil, vivia exatamente como queria.
Republicanos marca convenção estadual para definir candidatos e alianças em AL
Alfredo ataca ideia do “rouba, mas faz” e cobra mudança na política em Alagoas
Arthur Lira diz que terminará a eleição em primeiro lugar na disputa ao Senado
Lira admite lançar candidato alternativo se aliança com JHC não sair até convenção
Renan revê documentário e destaca impactos das decisões na pandemia
O elenco é formado por Ermerson Juan, Juny Maria, Kadu Oliveira, Lucca Bargmann e Tha Pedrosa. O figurino e a cenografia são assinados por Ermerson Juan, e os bonecos foram desenvolvidos por Kadu Oliveira e Ermerson Juan. A produção é de Alexya Vieira e Lua de Kendra. A programação faz parte de um projeto contemplado pelo edital Cultura em Movimento, iniciativa voltada a artistas e grupos que mantêm vivas as tradições culturais populares e afro-brasileiras de Maceió, especialmente aqueles impactados pela desocupação dos bairros Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Farol.
A casa onde Maria Mariá viveu e morreu foi transformada no Museu Casa Maria Mariá, que integra, ao lado do Memorial do Poeta Jorge de Lima e do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, o conjunto de espaços de memória de União dos Palmares. O espetáculo é, nesse sentido, uma extensão desse trabalho de preservação — levando a história da professora e jornalista para além dos muros da cidade do interior e para dentro das escolas da capital.
Serviço:
- O quê: Companhia Teatral Maria Mariá
- Quando: Quarta-feira, 29 de julho | às 10h, oficina de teatro | às 15h, espetáculo “Duplamente Maria” e roda de conversa
- Onde: Escola Estadual de Tempo Integral Drª Eunice de Lemos Campos, Avenida Garça Torta, s/n, Benedito Bentes
- Quanto: Entrada gratuita