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Pelas ruas da história

Sete cidades alagoanas ganham rota turística oficial que une patrimônio colonial, rio e história

Lei reconhece circuito que vai de Marechal Deodoro ao Sertão e inclui a Serra da Barriga, símbolo da resistência negra no Brasil

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Piranhas, no Sertão de Alagoas
Piranhas, no Sertão de Alagoas | Foto: Divulgação

As ruas de paralelepípedo de Penedo já eram velhas quando D. Pedro II desembarcou ali, em 1859, para uma cerimônia na Igreja de Nossa Senhora da Corrente — cujo altar-mor folheado a ouro e os azulejos portugueses nas paredes impressionaram até o imperador. Mais de 160 anos depois, o governo federal reconheceu oficialmente o que quem caminha por essas ruas já sabe há muito tempo.O passeio por ali é pelas ruas da história de Alagoas e do Brasil.

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.444, publicada no Diário Oficial da União dessa segunda-feira (29), que institui a Rota Turística das Cidades Coloniais Alagoanas. O circuito reúne sete municípios com patrimônios reconhecidos pelo Iphan: Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, Delmiro Gouveia, União dos Palmares, Porto Calvo e Água Branca. O objetivo é estruturar e promover o turismo histórico, de natureza e de aventura nesse território.

A rota percorre séculos e geografias muito distintas. No Litoral Sul, por exemplo, a cerca de 30 quilômetros de Maceió, Marechal Deodoro guarda o passado mais imediato do estado: foi a primeira capital de Alagoas, entre 1817 e 1839, e o chão onde nasceu o proclamador da República. Seu conjunto arquitetônico, com casarões e igrejas datadas da época colonial, foi tombado pelo Iphan em 2009 e inclui o Complexo Conventual Franciscano de Santa Maria Madalena, que levou mais de um século para ser erguido e hoje abriga o Museu de Arte Sacra do Estado, com mais de 500 peças dos séculos 17 ao 20.

A cidade de Marechal Deodoro
A cidade de Marechal Deodoro | Foto: Divulgação

Seguindo para o Sul, Penedo se ergue sobre um rochedo às margens do Rio São Francisco, a 160 quilômetros de Maceió. Fundada entre 1560 e 1613, a cidade foi ocupada pelos holandeses em 1637, e essa confluência de influências portuguesas, holandesas e francesas moldou a arquitetura híbrida que se vê hoje nas ruas da cidade, com mais de 60 edificações tombadas pelo Iphan desde 1996. O centro histórico reúne igrejas barrocas com altares folheados a ouro, conventos do século 17 e o Theatro Sete de Setembro, inaugurado em 1884 e considerado o mais antigo em funcionamento em Alagoas. Além disso, a Unesco reconheceu Penedo como Cidade Criativa.

Subindo o São Francisco em direção ao Sertão, Piranhas tem uma história que se divide em duas camadas. A primeira é urbana: em 2004, o núcleo histórico e um trecho de 13 quilômetros do rio foram tombados como Patrimônio Histórico Nacional, tornando Piranhas o primeiro município do semiárido nordestino a receber o título. A estação ferroviária construída no final do século 19, hoje convertida em Museu do Sertão, conta a história da Estrada de Ferro Paulo Afonso, que transformou o porto pesqueiro em polo estratégico da navegação no Baixo São Francisco. A segunda camada é natural: nas proximidades fica o Cânion do Xingó, descrito como o quinto maior cânion navegável do mundo, formado após a construção da Usina Hidrelétrica de Xingó, na década de 1990.

Delmiro Gouveia guarda outro marco: a Fábrica da Pedra, inaugurada em 1913 pelo empresário que deu nome à cidade e movida pela primeira usina hidrelétrica do Nordeste. União dos Palmares abriga a Serra da Barriga, onde foi estabelecido o Quilombo dos Palmares, a maior experiência de resistência negra do período colonial brasileiro. Porto Calvo, uma das cidades mais antigas de Alagoas, foi palco de disputas entre portugueses e holandeses no século 17, e seus remanescentes arquitetônicos incluem a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, tombada pelo Iphan. Água Branca, no alto sertão, fecha o circuito com construções ligadas à ocupação colonial do interior nordestino.

Imagem ilustrativa da imagem Sete cidades alagoanas ganham rota turística oficial que une patrimônio colonial, rio e história
| Foto: Lucas Meneses

A nova lei garante que a estruturação e a promoção da rota receberão apoio dos programas oficiais do Ministério do Turismo voltados à regionalização turística. O ministro Gustavo Feliciano assinou a lei ao lado de Lula e comentou o alcance do reconhecimento. “Os sete municípios que fazem parte da rota guardam um patrimônio arquitetônico, material e imaterial riquíssimo. Agora, nosso papel é transformar esse imenso potencial, levando mais turistas para a região, estruturando, qualificando e promovendo esse roteiro, o que vai gerar mais emprego e renda para o povo alagoano”, disse.

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