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'INFANTARIA'

Filme alagoano é destaque na maior publicação da indústria cinematográfica mundial

Projeto 'infantaria', de Laís Santos Araújo, foi destaque na Variety após prêmio em Cannes

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Projeto está em desenvolvimento e ainda não possui data para chegar às telonas
Projeto está em desenvolvimento e ainda não possui data para chegar às telonas | Foto: Divulgação

A Variety, principal publicação da indústria audiovisual mundial, dedicou uma reportagem ao projeto Infantaria, da diretora e roteirista alagoana Laís Santos Araújo. O texto, publicado ontem (19), detalha o desenvolvimento do longa-metragem — expansão do curta homônimo premiado no Festival Internacional de Cinema de Berlim — e chega em um momento preciso: Laís acaba de concluir quatro meses na La Résidence du Festival de Cannes, em Paris, onde foi premiada pelo CNC, o Centro Nacional do Cinema francês, no ano passado.

O curta Infantaria estreou na Berlinale em 2022, onde recebeu o Prêmio Especial do Júri da mostra Generation 14plus, e circulou por mais de 70 festivais brasileiros e internacionais. Filmado na Barra de São Miguel, o filme acompanha a jovem Joana em uma casa onde Ludmilla, costureira, aluga um quarto para mulheres que precisam interromper a gravidez — procedimento ainda criminalizado no Brasil.

O longa amplia esse universo e desloca o eixo narrativo para Ludmilla e Eduardo, personagem que a diretora descreve à Variety como “solitário e confuso, e que eu quero que seja melhor compreendido”.

A ideia de expandir o curta não estava nos planos originais. “Não foi algo planejado, nunca fizemos o curta pensando em um longa ou como prova de conceito”, disse Laís à Variety. “Mas continuei pensando nos personagens e naquele universo. Sentíamos que muito mais poderia acontecer naquela casa”.

O projeto acumula uma trajetória densa de desenvolvimento antes de chegar às filmagens. Passou pela Incubadora Paradiso, pela La Fabrique Cinéma do Institut Français, pelo BrLab, pelo CineMundi e pelo MAFF. A Résidence de Cannes foi o capítulo mais recente — e o mais longo.

Em Paris, Laís desenvolveu o roteiro ao lado de outros cinco diretores de países como Argentina, Irã e África do Sul, com acesso a conversas com cineastas como Luc Dardenne e Kelly Reichardt. “A residência foi incrível para o projeto, abriu muitas oportunidades e nos deu tempo para desenvolvê-lo melhor”, afirmou à Variety.

Na reportagem, a diretora é direta sobre o que o longa não será. O filme evita o panfletarismo. “O filme será centrado nos sentimentos dessas três pessoas lidando com a vida em torno dessas questões. Em vez de lutar contra o sistema, a família simplesmente lida com as repercussões desse mundo”, disse.

O produtor Pedro Krull, a diretora Lais Santos Araújo e o assistente de direção Pethrus Tiburcio durante o Festival de Berlim
O produtor Pedro Krull, a diretora Lais Santos Araújo e o assistente de direção Pethrus Tiburcio durante o Festival de Berlim | Foto: Jan Kraus/Berlinale

A ambientação em Alagoas é, ao mesmo tempo, a âncora visual e o contraponto ao peso da trama. “Crescer em Alagoas foi central para isso. Quero registrar aquelas paisagens bonitas que estão na minha cabeça. É natural para mim pensar em um filme com visuais ensolarados e coloridos, mesmo que os sentimentos e o tom nem sempre sejam assim. Porque lá é sempre ensolarado e quente, mesmo quando você está triste, mesmo nos momentos trágicos”, detalhou Laís.

A produção é da Aguda Cinema, produtora alagoana fundada pela própria Laís e pelo produtor Pedro Krull, em coprodução com a chilena OroFilms. O orçamento está estimado em 880 mil euros, com 590 mil já captados.

A equipe está em Cannes buscando os blocos finais, coprodutores, distribuidores e agentes de vendas europeus. “Não queremos ter pressa”, disse Pedro Krull à Variety. “Estamos interessados não apenas no aspecto financeiro de uma parceria, mas em como ela vai contribuir para o filme nesta fase final de desenvolvimento”.

Laís ainda finaliza Marina, longa codirigido com Pethrus Tibúrcio, filmado em Maceió, premiado no Work-in-Progress Darkroom do Festival Internacional de Cinema de Roterdã e com distribuição nacional pela Imovision.

Com esses projetos, a diretora alagoana está no centro de uma geração que, aos poucos, redefine de onde vêm as vozes do cinema brasileiro. Nessa mesma seara estão nomes como Stella Carneiro, que levou recentemente a Massagueira a Cannes, e do cineasta multipremiado Rafhael Barbosa, que estreia em junho seu novo longa, Olhe para Mim, no Festival Internacional de Curitiba.

Para o produtor Pedro Krull, Infantaria como destaque no cinema mundial traduz o momento do audiovisual nordestino, principalmente após o sucesso de O agente Secreto. “É no Nordeste do Brasil que estão nascendo as ideias cinematográficas mais interessantes, instigantes e inovadoras”, afirmou à publicação americana. A ressalva que faz em seguida é igualmente importante. “Sentimos que é um momento de oportunidades, mas temos muito trabalho para garantir que não seja algo passageiro”.

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