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MÚSICA

Gilsons lançam novo álbum que alia tradição e modernidade

Depois do sucesso de ‘Várias Queixas’, trio descendente de Gil reafirma sonoridade em novo trabalho

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Novo álbum dos Gilsons conta com vários convidados especiais
Novo álbum dos Gilsons conta com vários convidados especiais | Foto: Divulgação

É fácil organizar quem são os Gilsons: o violonista João Gil é o neto mais velho de Gilberto Gil; o baterista José Gil é o filho mais novo de Gil; o cantor e violonista Fran Gil é também neto de Gil, filho único de Preta Gil (1974–2025). Os meninos lançam agora o segundo álbum de carreira, Eu Vejo Luz em Maior Proporção do Que eu Vejo a Escuridão, para esclarecer de vez não apenas a identidade civil de cada um, mas a personalidade sonora que criaram juntos, em trio.

Sucessor de Pra Gente Acordar, de quatro anos atrás, o novo lançamento preserva, em dez canções inéditas, algo que ficou característico nos Gilsons: o pop baiano moderno, com entusiasmo pelo hip-hop e suas variações e pela música eletrônica, entre outros gêneros.

Eles, todos cariocas, não rechaçam totalmente a classificação. “Não sei se define, mas a influência da música da Bahia é muito clara no nosso som. Trazemos ela muito forte, intencionalmente. Por outro lado, é muito difícil classificar a música baiana. Ela sempre teve a esperteza de se modernizar, que é o que justamente buscamos para o nosso som. Não queremos ficar presos a uma época”, explica João.

Para entender como isso funciona na prática, é preciso voltar ainda mais no tempo. Antes mesmo do primeiro álbum, os Gilsons lançaram, em 2018, um EP que, entre outras músicas, trazia Várias Queixas, faixa apresentada pelo bloco Olodum seis anos antes. A releitura, já dentro da personalidade Gilsons, foi um sucesso.

A lembrança ao Olodum volta agora, no novo álbum, na faixa Bem Me Quer, com participação de Narcizinho, um dos compositores de Várias Queixas. Escolhida como single de Eu Vejo Luz em Maior Proporção do Que eu Vejo a Escuridão, a música tem clima solar para falar sobre um desencontro amoroso.

“A participação do Narcizinho encerra um ciclo e abre outro muito importante. Sem ele e o Olodum talvez nem tivéssemos chegado nesse álbum. É uma forma de agradecimento”, explica José, responsável pela produção musical.

Ampliando ainda mais as conexões, João se juntou ao paulistano Arnaldo Antunes. Uma das faixas que fizeram juntos é Vai Chover. Antunes foi convidado para cantar no álbum. A música de tom filosófico fala da semeadura, de como tudo se encaixa, seja em um sol forte ou com a chegada do vento, que derruba frutos que ficarão ao alcance de todos. Ela remete também à capa escolhida para o álbum.

Se no primeiro trabalho os Gilsons colocaram a cara no mundo, neste optaram pela ilustração de uma árvore frondosa. Em outra perspectiva, é possível enxergar a representação da estrutura de um cérebro vista de lado. “A árvore diz muito sobre nossas raízes e a manutenção delas. Há o movimento, o circular, o Yin Yang, o brotar, as folhas. É um disco muito imagético, sensorial. Dá para escutá-lo imaginando muita coisa. A capa traduz isso”, aponta José.

Gilsons lança novo álbum e dá início a turnê
Gilsons lança novo álbum e dá início a turnê | Foto: Divulgação

O músico explica que há um descompromisso em ter que aparecer na capa, como no disco anterior, quando a ideia era imprimir seus rostos na cena musical. “Temos muitos ouvintes nas plataformas digitais, mas nem sempre somos reconhecidos na rua”, diz. Os três, longe de qualquer antipatia, afirmam adorar andar livremente por aí. “Somos reconhecidos, claro, mas também tranquilos em relação a isso, inclusive nas redes sociais. O público respeita nosso espaço de maneira natural”, completa.

Preta Gil

O novo álbum, no entanto, inevitavelmente, passa pela vida pessoal de João, José e Fran. Em meio ao processo de produção de Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão, eles lidaram com a doença e a morte de Preta Gil — mãe de Fran, irmã de José e tia de João. Por uma coincidência, uma das canções, Minha Flor, mais uma parceria de João com Arnaldo feita há mais de dois anos, versa sobre despedida. A faixa tem as participações de Caetano Veloso, tio e padrinho de Preta, Tom e Moreno Veloso.

“O álbum é o retrato de um tempo. Cada um teve uma vivência específica em relação à morte de minha mãe. Não há uma canção intencionada a ela, mas é bonito ver como a arte funciona. Tenho escutado muito o disco e algumas audições me deram um caráter terapêutico mesmo. Para nós, Gilsons é isso: um respiro, uma luz”, afirma Fran.

Minha Flor é a faixa mais diferente do álbum. Começa com a orquestração. O beat, característica dos Gilsons, surge lá para a metade. “Estávamos buscando mesmo a ampliação da nossa paleta sonora”, justifica João.

Há outras duas convidadas no álbum. A cantora e compositora Júlia Mestre e a multi-instrumentista gambiana Sona Jobarteh.

A turnê do novo álbum começa neste mês, com cerca de 30 shows já marcados — sendo um deles em Maceió, em maio. No exterior, vai passar pela América do Sul, Europa, Austrália, Nova Zelândia e Portugal.

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