HOJE É DIA DE OSCAR
Quatro atores de Alagoas participam de 'O Agente Secreto', filme brasileiro indicado ao Oscar
Artistas relatam bastidores do filme de Kleber Mendonça Filho, que concorre em quatro categorias da maior premiação de Hollywood
Há um sonho que atravessa gerações de artistas brasileiros: ver o país reconhecido pela força de sua produção cultural. No cinema, esse movimento ganhou impulso recentemente. Até pouco tempo atrás, o Brasil não tinha sequer uma estatueta do Oscar para chamar de sua. Hoje, além da vitória conquistada por Ainda Estou Aqui em 2025, o país chega à cerimônia deste domingo (15) com cinco indicações. Entre os nomes que integram essa presença brasileira na maior premiação do audiovisual estão quatro artistas de Alagoas: Ane Oliva, Aline Marta Maia, Igor de Araújo e Albert Tenório.
O destaque brasileiro da edição é O Agente Secreto, thriller dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura. O filme disputa quatro categorias: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator e melhor direção de elenco. A quinta indicação brasileira veio na categoria de melhor fotografia, com Adolpho Veloso pelo longa norte-americano Sonhos de Trem. A cerimônia ocorre no Teatro Dolby, em Los Angeles, com transmissão a partir das 19h.
Ambientado no Brasil de 1977, O Agente Secreto acompanha Marcelo, personagem de Wagner Moura que retorna ao Recife tentando reconstruir a relação com o filho e escapar de um passado nebuloso. O que encontra é uma cidade atravessada por tensões políticas e personagens que revelam as marcas do período da ditadura militar. O roteiro combina suspense com elementos históricos e retoma temas que atravessam a filmografia de Kleber Mendonça Filho desde O Som ao Redor e Aquarius.
Os quatro atores de Alagoas, que fazem desta edição do Oscar a mais alagoana de todos os tempos, aparecem em diferentes momentos de O Agente Secreto. Aline Marta interpreta Lenira, sogra do protagonista. Igor de Araújo vive Sérgio, filho e assistente do delegado Euclides. Ane Oliva surge como uma empregada doméstica que perdeu o filho após um atropelamento. Albert Tenório aparece na abertura do longa como um dos policiais que abordam o protagonista em um posto de gasolina.
Ane Oliva, servidora da rede estadual de ensino e presença constante em produções audiovisuais do estado, acompanha a repercussão internacional do filme com entusiasmo. Ela diz que a expectativa pela cerimônia é semelhante à de um grande evento esportivo nacional. “É como se fosse uma Copa do Mundo. A gente tem que estar no domingo festejando, felizes e orgulhosos do que estamos produzindo e das histórias que estamos contando”, afirma. A atriz diz que o reconhecimento internacional não surpreende quem acompanha o trabalho do diretor. “Sabíamos que viria um grande filme, porque Kleber é um dos maiores nomes do cinema brasileiro e mundial. Não imaginávamos tantos desdobramentos, mas é muito gratificante ver esse reconhecimento”, completa.
Para Aline Marta Maia, a participação no filme começou de forma inesperada. A atriz recebeu inicialmente um convite para gravar um teste destinado a outra personagem. Durante o processo, foi chamada para interpretar Lenira e dividir cena com Wagner Moura. Ela conta que a mudança ocorreu ainda na fase de preparação. “Imagine a surpresa que tive ao descobrir que iria fazer outro papel e contracenar com Wagner Moura, além de ser dirigida pelo Kleber, de quem já era fã. Tive até que me conter para não ficar com cara de idiota com os olhinhos brilhando”, revela.
Igor de Araújo também destaca a experiência de trabalhar no projeto e o ambiente de colaboração durante as filmagens. O ator lembra que a produção reuniu intérpretes de diferentes regiões do país e recriou o Recife da década de 1970 com grande atenção aos detalhes. “Foi uma grande experiência. Kleber domina a linguagem cinematográfica com extrema habilidade e parece saber exatamente o que deseja transmitir. Além disso, pude trabalhar com atores de vários estados e ver a década de 70 sendo recriada na cidade do Recife. Isso foi muito marcante”, conta.
Ao comentar a repercussão internacional do filme e as indicações ao Oscar, Igor afirma que ainda é difícil dimensionar o alcance do trabalho para quem participou das gravações. “É um tanto estranho para nós que fizemos o filme compreender a dimensão que ele alcançou. Por ser algo novo, é difícil estabelecer paralelos. A única coisa que posso dizer é que estou feliz por ter feito parte dessa história”.