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ESTREIA

Carolina Dieckmmann vive alcoolista em novo filme que estreou no cinema

Atriz, protagonista de ‘(Des)controle’, fala sobre os estigmas do vício e lembra ‘Laços de Família’

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Imagem ilustrativa da imagem Carolina Dieckmmann vive alcoolista em novo filme que estreou no cinema
| Foto: Reprodução

Carolina Dieckmmann aceitou fazer o filme (Des)controle antes mesmo de ler o roteiro. Na primeira conversa com as roteiristas Rosane Svartman e Iafa Britz para explicar o projeto, ela se envolveu com a narrativa e com a sua personagem, Kátia Klein, uma escritora de 45 anos vivendo uma crise criativa, pressão profissional e familiar, e que volta a beber depois de 15 anos.

Naquele momento veio a lembrança da mãe, na fase turbulenta em que ela também não deu conta das demandas crescentes: “Eu tenho uma história de vida e a experiência do lugar de filha que viu a mãe – que não era alcoolista – não aguentar o sofrimento e se anestesiar, não conseguir cuidar porque não estava se cuidando. O tema tocou num lugar muito profundo do que eu sou como mulher, do quanto me virei e me transformei a partir disso. Senti nelas a segurança de tocar nesse meu trauma, de trazer isso para o set, de me sentir acolhida e confortável num lugar tão desconfortável para mim".

Depois de ler o roteiro, a certeza se confirmou. “Senti a importância de falar sobre esse tema no universo feminino. Eu precisava desse colo, desse olhar para mim como pessoa, que vai além da atriz. O que espero desse filme é que ele chegue nas pessoas pelo fio da emoção, do coração”.

E é difícil não se emocionar com a escritora de livros infantojuvenis que vai de uma simples taça de vinho ao total descontrole, com as consequências assustadoras e imprevisíveis. No espelho, ela encontra a imagem de outra Kátia, desbocada e despreocupada com suas responsabilidades como mãe, esposa, filha e profissional de sucesso, mas não consegue encarar a realidade e se afastar do vício.

Estão no elenco do filme que estreou essa semana nos cinemas Irene Ravache e Daniel Filho, como os pais de Kátia; Caco Ciocler, como o ex-marido; e Júlia Rabello, interpretando a melhor amiga e agente.

Confira abaixo a entrevista com a atriz:

Quais foram as cenas mais difíceis?

Foram com os filhos, porque tive dificuldade para ficar num lugar só de atriz e não de filha, sabe? Eu olhava para aquelas crianças, meus filhos no filme, e ficava profundamente emocionada, tendo de segurar ali a personagem, estar naquele lugar da mãe, onde eu confrontava a minha própria história em algum nível do meu imaginário, do meu subconsciente.

É um filme muito feminino, os homens vão gostar?

Olha, ninguém me perguntou isso até agora, nunca tinha pensado sobre isso. As pessoas falam muito mais do alcoolismo no homem, há menos preconceito do que com as mulheres. É complicado olhar sob a nossa ótica, sob o nosso ponto de vista, mas acho que é um incômodo positivo. E acho importante esse filme feito por mulheres tomando as decisões do que fazer, como fazer.

Você fez a personagem Camila, de Laços de Família, com a cena de raspar a cabeça, ampliando as doações de medula. Isso pode se repetir?

Eu amo fazer televisão, adoro o lugar que a televisão chega. Eu tive a experiência da Camila aos 20 anos de idade, vi o poder transformador que é você contar as histórias, levar a verdade, emocionar as pessoas. A televisão leva você para dentro da casa da pessoa com intimidade. Acho que em nenhum outro lugar no mundo é do jeito que acontece no Brasil. Sabemos que há gente que vai passar a vida sem ir a um teatro ou ao cinema, na casa não tem nem geladeira, mas tem uma TV. Essa é a experiência mais bonita da minha profissão. Espero com esse filme também tocar as pessoas.

Imagem ilustrativa da imagem Carolina Dieckmmann vive alcoolista em novo filme que estreou no cinema
| Foto: Reprodução

Sua personagem é escritora. Você tem projetos de publicar um livro?

Adoro escrever, mas não entrou ainda na minha vida como um projeto físico. Eu comecei a escrever sobre o luto da minha mãe nas redes sociais, eu me curei por meio da escrita, não me senti sozinha ao ver as pessoas que me seguem no Instagram se identificando com a minha maneira de enfrentar o luto. Era um aconchego, fui ficando à vontade para escrever. Sobre um livro, não tenho a ideia, mas acho que uma hora vai acontecer.

Há uma identificação entre Kátia e a mãe dela. Como foi atuar com Irene Ravache, que a interpreta?

Acho que eu tenho uma dor e Irene também, em lugares diferentes, mas que passam pelo álcool em algum momento. Foi emocionante atuar em todos os momentos com ela. Fizemos antes uma novela juntas, em núcleos diferentes, não havia intimidade, ao contrário desse filme. Foi muito bonito, especial e comovente meu encontro com ela, entender quando a dor aproxima as pessoas.

E como está o seu momento atual?

Estou vivendo uma nova dor, meu filho caçula está estudando fora e tem essa coisa do ninho vazio definitivo. O Davi foi embora, mas havia o José; agora somos eu e meu marido (Tiago Worcman, diretor). Ainda está muito forte e estou emocionada com esse momento, acomodando também as dores e as novas realidades. É bom voltar para o trabalho, divulgar dois filmes de que eu tenho tanto orgulho (ela atua também em Pequenas Criaturas). Aos poucos, vou encontrando a linha.

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