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ILHA DO FERRO

Fotografias de Celso Brandão reencontram comunidade da Ilha do Ferro após 40 anos

Mostra “Correnteza” reúne 25 imagens e propõe que ribeirinhos escrevam a própria história

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Imagem ilustrativa da imagem Fotografias de Celso Brandão reencontram comunidade da Ilha do Ferro após 40 anos
| Foto: Celso Brandão

A Galeria Cabra, na Ilha do Ferro, em Pão de Açúcar, é palco, desde essa sexta-feira (22), da exposição “Correnteza: Celso Brandão – Ilha do Ferro”. A mostra apresenta 25 fotografias em preto e branco registradas por Celso Brandão na década de 1980, e ficará em cartaz até o dia 22 de novembro, com entrada gratuita.

“Correnteza” representa o reencontro entre o fotógrafo e a comunidade que o acolheu há mais de 40 anos. As imagens revelam o olhar de Brandão e a troca que se estabeleceu entre ele e os moradores — um gesto de convivência que agora retorna ao território onde foi vivido.

Organizada e curada por Cármen Lúcia Dantas e Cíntia Ribeiro, com consultoria da pesquisadora Adélia Borges, a exposição valoriza o imaginário ribeirinho e ativa diálogos entre gerações por meio de imagens, textos e encontros. A produção é assinada por Pirambeba Lab e Perereca de Brejo, com realização pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), operacionalizada pela Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult-AL) e pelo Ministério da Cultura do governo Federal, com apoio da Cabra Ilha do Ferro e Fastframe.

FOTOGRAFIA COMO CORRENTEZA

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| Foto: Celso Brandão

Produzidas em uma convivência direta com os habitantes da Ilha do Ferro, as imagens expostas vão além da documentação. Como apontam as curadoras, as fotografias funcionam como uma “fenda líquida”, e são capazes de atravessar o tempo e abrir espaço para novos sentidos. As paredes da galeria, em cores que remetem às casas sertanejas, recebem as imagens como um fluxo contínuo que não se fecha no passado, mas escorre até o presente.

“É a primeira vez que essas imagens, agora reunidas, retornam ao povoado da Ilha do Ferro. Não como registro fechado no tempo, mas como fluxo contínuo, onde a fotografia representa a superfície visível do lugar-rio que segue seu curso entre margens fluidas e impermanências”, escrevem Cármen Lúcia Dantas e Cíntia Ribeiro.

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| Foto: Celso Brandão

Em depoimento especialmente escrito para a exposição, Celso Brandão afirma: “Correnteza resgata fotografias em branco e preto, mergulhos em águas passadas, ainda banhando o povoado e sua gente”.

A exposição propõe um envolvimento direto da comunidade com o material apresentado. Um caderno de anotações ficará disponível na galeria para que os moradores possam reconhecer rostos, compartilhar lembranças e escrever suas próprias histórias. A curadoria propõe um exercício de escuta, pertencimento e ressignificação do tempo vivido.

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| Foto: Celso Brandão

Além da mostra fotográfica, a programação inclui visitas guiadas e rodas de conversa com a participação de artistas, professores, estudantes e moradores locais, ampliando o alcance da proposta formativa e afetiva da exposição.

A consultora Adélia Borges destaca o papel da arte na formação de identidade e no fortalecimento da comunidade. “Que esta exposição sirva para que os habitantes se apropriem da sua história e prossigam na sua jornada, com liberdade, acreditando em si mesmos (...) Que também utilizem a fotografia para contar suas próprias histórias”.

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