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Opinião

O Enem do futuro

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Por Alfredo Freitas. Especialista em educação e tecnologia, diretor da universidade Ambra University | Edição do dia 27/05/2022 - Matéria atualizada em 26/05/2022 às 20h54

Pesquisa mostra que até 2030, a maior parte do ensino no mundo será personalizada e online. Como especialista em educação e internet e diretor da universidade americana -- Ambra University - acredito estudantes estão cada vez mais adaptados ao modelo remoto de ensino e vão exigir serem avaliados também de forma online.

Última pesquisa do INEP revelou que 99,3% das escolas brasileiras suspenderam as atividades presenciais durante a pandemia e devem seguir utilizando recursos do ensino online para não perder o ano letivo em 2022. Afirmo como especialista em tecnologia e educação, que o Brasil deve, assim como outros países, se preparar para investir em ensino remoto de forma permanente e não provisória.

Os dados de uma pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que as matriculas no ensino remoto já superam as no presencial. Outro estudo, o mapa World Innovation Summit for Education (Wise), mostra que até 2030, a maior parte do ensino no mundo será personalizada e online. Acredito que o estudo seja um prenúncio do que viveremos na educação nos próximos anos. Uma mudança que já começou e é irreversível.

A alta abstenção ao exame do Enem em 2021, por exemplo, pode representar que as pessoas querem a praticidade de estudar e serem avaliadas de forma online. O mundo já se prepara para ampliar a modalidade de ensino via internet e assumir o modelo educacional híbrido (online e presencial) no curto prazo. O Brasil deveria seguir essa tendência.

Estudar remotamente já está virando um hábito e as pessoas terão dificuldade para retornar ao ensino totalmente presencial. A Ambra University foi pioneira na oferta de cursos de formação complementar no exterior em português e totalmente online há 10 anos, não esperávamos que o ensino virtual de qualidade fosse ganhar tamanho espaço em tão pouco tempo.

Nos EUA, em janeiro deste ano, não houve retorno ao ensino presencial nas universidades. Na Europa, gestores públicos e privados da educação já planejam modelos híbridos que permitam a continuidade do aprendizado de forma melhorada a partir da internet.

A pandemia diminuiu o preconceito com o ensino via internet. O ensino superior da rede privada, por exemplo, sofreu uma queda de 8,9% nas matrículas em cursos presenciais no primeiro semestre de 2021, enquanto a modalidade via internet viu a procura subir 9,8% no mesmo período. Os dados são do Mapa do Ensino Superior no Brasil, pelo Instituto Semesp, e refletem uma tendência que se mantém desde 2016 e deve aumentar ainda mais no período pós-pandemia.

Dados recentes mostram que já são quase 10 milhões de brasileiros matriculados no ensino via internet. Número de matrículas deve dobrar no pós-pandemia. O impulso na modalidade de ensino via internet no Brasil, expôs o quão útil e eficaz é a metodologia e obrigou o fim imediato do preconceito com o ensino online.

Regulamentado há 14 anos no Brasil, o ensino a distância superou pela primeira vez a oferta de vagas da educação presencial no país. De acordo com o Censo mais recente da Educação Superior, foram oferecidas 7,1 milhões de vagas a distância, frente a 6,3 milhões de vagas presenciais. Como especialista deixo um alerta: Ou agimos agora ou ficaremos ainda mais para traz no quesito educação em relação a outros países.

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